terça-feira, 16 de fevereiro de 2010


Ruas da tua alma

Telas desmaiadas mostram-me aldeias
banhadas em cal,
que se alojam imutáveis
em imagens - quase impalpáveis como ruínas de sal -
de calçadas acamadas em areias.

Lá ao fundo assobia o vento;
nele esvoaçam lembranças aladas,
esguias, espontâneas, como que nervosas
- recordando o teu conto de fadas -
num momento de turbulência interna,
angústia ou tormento...
apoderam-se de ti suspeitas gravosas.

De súbito...
deixei de ver-te por dentro.
Suspiro ao relento do crepúsculo
e espero que a noite me venha buscar.

Mas as andanças de aromas vivos
que erram ainda pelos telhados e
se misturam com a fumaça das
chaminés transbordam agora
pelos poros da tela fora, transportam-me
para o ambiente daquela
que é a aldeia onde está
imortalizada uma das ruas da tua alma.

14/01/06 (original) - modificado a 15/01/09

2 comentários:

  1. Agradeço o facto de me teres enviado a mensagem, pois o que vi neste blog agradou-me imenso e de certa maneira não me surpreendeu nada. Não sabia desta tua faceta e da maneira sublime como tratas as palavras por TU, mas como disse não me surpreendeu, uma vez que vejo em ti todas as qualidades necessárias para fazer este tipo de coisas.
    Os meus sinceros Parabéns.
    Beijo*

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  2. Bonito este porque transmite verdadeiramente um sentir, sincero este porque se abstrai do mundano e apodera-se de uma forma muito especial do olhar ao redor e do ver por dentro.
    o outro como figura emergida de um quadro onde as palavras constroem um cenário, imagem mental. extremamente sensacionista, o cheiro que nos transpõe para o plano da névoa, o frio que perpassa as chaminés fumegantes, o reconfortante encontro de saber que naquele espaço níveo e sereno há algo mais que vazio, há um caminho que nos leva inevitavelmente para a humanidade. o labirinto que nos fecunda é afinal condensador do epicentro da imortalidade...

    porquanto seja agora esta minha dor lida, não deixa de ser verdadeiramente mutável, pois que este poema é a cada leitura, construtor de mundos - a imagem que constrói pela palavra não vai nunca cessar o divagar, Felizmente!

    é nessa rua d'alma desse alguém que revisito minhas aldeias e os rios que lá passam...

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