
Hoje, ao debruçar-me sobre uma página do público, deparei-me com a dilemática questão quanto à aplicação imediata (ou não) do acordo ortográfico. Vasco Graça Moura afirmava que o processo ainda podia ser parado, já o Governo, incorporado na voz da nova ministra da cultura, Gabriela Canavilhas, retorquia o seguinte: “Quem não está a aceitar isto são umas baratas tontas na CPLP [Comunidade de Países de Língua Portuguesa] que têm que arranjar um pretexto para terem alguma actividade”. Ora, eu julgo - e corrijam-me os que acharem que estou errada - que quem se lembrou de criar a tal “unidade gráfica” é que não tinha mais nada que fazer senão subjugar a nossa língua, originária do latim, à pseudo-língua - tão maltratada tanto na gramática como na sintaxe mais no Brasil do que em Portugal - de um país por nós colonizado, esquartejando brutalmente o seu purismo. José Mário Costa, fundador e coordenador do site Ciberdúvidas da Língua Portuguesa declara que o português se arrisca a ter não duas ortografias oficias, mas oito e isso não pode acontecer numa língua que pretenda ser universal. Vejamos: todos nós partilhamos dessa aspiração, todavia, por que não cede antes o Brasil no aspecto da ortografia? Por que motivo temos que ser nós a deturpar as nossas palavras ao ponto de criarmos vocalicamente um “c” futuramente omisso na palavra facto? Mais…mas que animalidade será esta de substituir o acento agudo pelo circunflexo em nomes próprios como António? Sim, leiam Antônio e apreciem a gargalhada que se manifesta na sonoridade. “O texto é aberto mas é ambíguo e tem até contradições internas. Mas ninguém o vai ler quando tiver dúvidas”, diz Margarida Correia. Aliás, eu ouso atestar que ninguém irá sequer consultar os novos dicionários que forem publicados! Retrógrada ou “barata tonta”, tal como me designaria o Governo, a verdade é que vou continuar a escrever como sempre fiz, bem como aquelas pessoas que já o fazem há tantas décadas que nem se vão preocupar em actualizar-se. José Mário Costa considera que falta ainda saber quem manda na língua, e é sem dúvida uma boa questão, em virtude desta imposição que nos foi feita, sabendo nós que, para não variar, rendemo-nos às ordens emanadas do estrangeiro.Já dizia Pessoa, com razão, que “nenhuma ideia brilhante consegue entrar em circulação se não agregando a si qualquer elemento de estupidez. O pensamento colectivo é estúpido porque é colectivo.” Isto é, tomara que estas “mentes brilhantes” não pensassem colectivamente na mesma imbecilidade. Contudo, tal como o que se tem verificado, o despotismo prevalece em todas as matérias e aferimos como sempre que o “ despotismo impressiona pela estupidez do estilo”.
Perfaço - para aqueles que já desmaiaram o ânimo da leitura - parafraseando W. Churchill: “Não há mal nenhum em mudar de opinião - de estratégia, de acordo ortográfico…-, contanto, que seja para melhor!”

Haja alguém que dê a opiniao crítica acerca do acordinho. Muito bem escrito!=D
ResponderExcluirJá li os outros textos ..sabes que +? aqui há talento lol ;) Deixando agora as brincadeiras de lado..o blog está muito bom.Parabéns ;)
Bjoka da amiga Elsa*
isto é o exemplo puro do esforço que o primeiro-ministro faz em colocar as questões de poder político sobre a questão mais central da cultura - a nossa própria língua.
ResponderExcluirRealmente tratam-na como se pudessem, de qualquer modo, modificá-la sem sequer pedir a quem a utiliza. É algo tão mau de pensar que até dói de imaginar. E pior que isso tudo, é que a imaginação está-se a querer ser realidade.
Eu cá continuo a escrever como posso, com as minhas calinadas próprias, ingénuas, mas com a distinção do palavreado do outro lado do Oceano.
Acho que não é este o sexto sentido que o pessoa falava...
Quanto ao blog, acho muito boa ideia, e nem sei porque é que não tinha perguntado antes, porque um blog e tu fazem muito sentido.
Boa sorte e conta com um olhar atento!
NCR.
O acordo ortográfico é um autêntico assassinato à nossa bela Língua portuguesa. No entanto, este não chegou por mero acaso, vem de encontro à teoria do grande visionário george orwell - cortar com o mais importante meio de comunicação humana. Ainda não conheci ninguém que concordasse com isto, se fosse a referendo daria quase 100% tenho a certeza.
ResponderExcluir/clap clap clap
ResponderExcluirSem dúvida algo necessário a ser dito e reivindicado por todos nós, principalmente por ser notória a irrasonabilidade deste (des)Acordo Ortográfico por parte de todos nós, portugueses.
Maior apreciação ainda da minha parte para o título 'Raios partam o acordo', sem entraves na língua (e com um gostinho particular dito na minha versão com sotaque nortenho), porque entraves já temos nós que cheguem, deixem-nos ao menos a língua livre!
Parabéns Melissa, pelo blog e pela sua autora.