Esboçar palavras de amanhã,

Rabiscar palavras de outrora
Que seriam de outros tempos se os tempos fossem outros...
Agora amanheceu e as palavras aspergem-se em nevoeiro;
(E o que é o nevoeiro senão aquilo que foi e a esperança de voltar a ser?)
Mergulharam no esquecimento sem, na realidade, desaparecer
E correram o mundo escorando-se noutros braços, noutras baladas...
O que mudou não foi o que caiu em mãos erradas,
Foi o brilho que soía ser certo.
Mas até o que é certo expira; no fim, sobejam, flutuantes,

Candeias de frugal e remota flama;
O que seria depois e o que foi dantes
Jazem nesse fulgor desamparado que nem já fulgor se chama.
