
Alguém, digno da minha admiração mas nem sempre da minha concordância, afirmou outrora que "em geral, consideram-se sinceros todos os rapazes com convicções e incapazes de criticar". Para o homem, tudo o que se opõe ao ímpeto do seu egoísmo provoca o seu mau humor, a sua intolerância e subsequentes acessos de irascibilidade desmedida e, às tantas, infundada. "Um primeiro amor dá espírito às raparigas; o rapaz é menos estúpido no segundo". Bem, na verdade é possível verificar-se a mesma estupidez nas raparigas, mas regra geral...
Podemos indagar sobre o que aconteceria se os pudéssemos moldar a nosso belo prazer e torná-los menos irritáveis, menos insensíveis, menos estúpidos "no primeiro". Imagine-se, sem embargo da impossibilidade absoluta, que o conseguiríamos. Suponhamos que eles se metamorfoseassem para seres mais cautelosos, mais ponderados, mais diligentes, mais sensíveis, menos estúpidos, menos voláteis, menos dados a brincadeiras perigosas, menos presunçosos e menos amantes de piadas terrivelmente secas. Afinal de contas, são essas as características que os formulam - quer o aceitemos ou não -, todavia, "toda a arte é um problema de equilíbrio entre dois opostos". Como diria Ernest Renan, "A mulher que se parece connosco é antipática: o que nós buscamos no outro sexo é o oposto de nós mesmos". Bem que podemos ser dotados de uma auto-estima altíssima, mas ao fim do dia cansamos-nos de conviver com os nossos próprios pensamentos; precisamos, de alguma forma, de uma lufada de ar fresco - ou de estupidez...que seja! -, o que nos reconduz aos homens, "animais muito estranhos: uma mistura do nervosismo de um cavalo, da teimosia de uma mula e da malícia de um camelo". Portanto, por muito que os tentemos formatar, por muito que tentemos extrair-lhes o nervosismos, subtrair-lhes a teimosia e suavizar-lhes a malícia, a verdade é que " boys will be boys" and there's not much we can do about it but to accept it.
