terça-feira, 23 de março de 2010


Uma cadeira isolada e irredutível,
é assim que me sinto, é assim que me tenho.
A vaguear pelo corredor venho
e termino num canto indivisível.

Soluço e resguardo a expressão
mas debalde pois meu ar é rarefeito.
Tenho os olhos presos ao chão.
o sorriso contrafeito,
a feição distorcida.

As palavras caem-me ao lado,
a matéria esvoaça pela porta fora.
Tenho os punhos cerrados -
a melancolia não se demora.

Ferem-me as divagações,
agravam-se as pupilas a focar o vazio.
Ora vario, ora desvario...
já não atento nem animo.
Meu corpo todo debruça-se sobre o indistinto;
agora decoro-o, mais tarde desminto-o.

Sou uma cadeira irredutível e isolada.
Assim me tenho, assim me sinto...
o que sinto é nada.