quinta-feira, 4 de março de 2010

Metamorfose


Assenta a certas individualidades da nossa era - facilmente presumíveis; basta atentar ao telejornal ainda que com olhar alheado - a frase de P. Valery "nem sempre sou da minha opinião". Pois bem, pior que não ter qualquer opinião, é formular opiniões que nada nos dizem e convencermo-nos delas primeiro para então, depois, convencermos os outros.
Se é "absurdo o homem que nunca muda", absurdos são aqueles que não mudam nem de estratégia, nem de discurso propagandístico tão esvaziado de conteúdo como de honesta intencionalidade (se é que me faço entender...). E falando em intenções, de acordo com O. Wilde, "as boas intenções têm sido a ruína do mundo. As únicas pessoas que realizaram alguma coisa foram as que não tiveram intenção alguma", ou como diria a populaça, " de boas intenções está o inferno cheio!". Não querendo estar demasiadamente amigada da pirraça e da sátira - ainda que com dificuldade sobre-humana -, tenho tido, ultimamente, sério embaraço em acreditar que "com o engodo de uma mentira se pesca uma carpa da verdade". Mais, adito a isso a credibilidade da justiça, pois não é à toa que alguém tenha vindo a escapar ao engodo da Independente, ao do Freeport, ao célebre caso da tvi e, mais recentemente, ao engodo das escutas. Questiono-me, com acentuada incerteza, em que escombros sombrios estrebucha a carpa prometida!
Em jeito de remate, deixo em suspenso a seguinte interrogação: se alguém em tão elevado cargo goza de tamanha e revoltosa imunidade, como estará todo o palanque em que este se apoia para se equilibrar?

quarta-feira, 3 de março de 2010

Está na moda ser-se anti-qualquer-coisa no facebook


Ao que parece, o terramoto que é o facebook anda a gerar ondas de cólera por todo o mundo. As pessoas superam as suas diferenças para se associarem em aglomerados de gente anti-qualquer coisa. O mais curioso de tudo isto é que as pessoas o fazem com o intuito de se destacarem dos demais, sendo a formação destes grupos o meio ultimamente predilecto. Está na berra integrar grupos adversos tais como "Denunciemos e discriminemos todos os homófobos", "Odeio grupos" entre outros. Já garantia V. Hugo que
" O odioso é a porta de saída do ridículo!". Agora questionemos-nos sobre as repercussões destes m0vimentos anti-qualquer-coisa...pois é, não resultam em nada senão em associações de pessoas que desprezam as mesmas coisas. É uma espécie de "Eu odeio as pessoas que têm notas altas injustificadas. Tu também? Junta-te a mim! Consequências: zero. Este fenómeno advém da liberdade de expressão esbofeteada por descerebrados com gravosa falta de imaginação e pouco para fazer da vida. A única vantagem que deste fenómeno poderá decorrer será o facto de consistir num exímio objecto de estudo social. Quanto a mim, creio que isto se assemelha em grande medida ao diagnóstico retirado dos Shoppaholics, ou seja, revela um vazio emocional unicamente compensado mediante a formação de grupos hostis, através dos quais se manifestam e se exteriorizam pensamentos e sentimentos reais e fictícios. Deste modo, todos se sentem integrados, parte de alguma coisa - ainda que manifestamente oca - com o bónus que representa a publicitação desta turbulência inconsequente e infundada.