sábado, 19 de junho de 2010

Candeia

Eu queria dizer-te palavras de hoje,
Esboçar palavras de amanhã,
Rabiscar palavras de outrora
Que seriam de outros tempos se os tempos fossem outros...

Agora amanheceu e as palavras aspergem-se em nevoeiro;
(E o que é o nevoeiro senão aquilo que foi e a esperança de voltar a ser?)
Mergulharam no esquecimento sem, na realidade, desaparecer
E correram o mundo escorando-se noutros braços, noutras baladas...
O que mudou não foi o que caiu em mãos erradas,
Foi o brilho que soía ser certo.

Mas até o que é certo expira; no fim, sobejam, flutuantes,
Candeias de frugal e remota flama;
O que seria depois e o que foi dantes
Jazem nesse fulgor desamparado que nem já fulgor se chama.

3 comentários:

  1. Caro Ruim real, tenho tão-somente para ti reservado um encómio pelo empenho imperioso e exasperado que empregaste nesse discurso - um tanto ataviado com uma pitada de spleen baudelariano - acostado tanto ao vilipêndio e altercação que definem Nietzsche, como à grosseria e contundência que reportam à poesia erótica e satírica de l'Hedois du Bocage.

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  2. Pouco me importa que - a latere et a limine - deslustres aqueles que simplesmente gostam de ler. Ora, falando tu em ideias de outros e chicoteando a vaidade com outra dose de assaz jactância, não serás tu o hipócrita que estatela, em cada post, um pseudónimo introdutório com o único propósito de alardear a tua cultura geral? Isso não me amedronta nem me repele, como saberás tu espicaçando-me. Antes posso eu sorver o que escreveres (para mim) de inédito ou inaudito. Não te vou censurar pelo onus probandi de que não te consegues eximir, no entanto, creio que basta dessa tua propensão para prosseguir picardias. Está tudo bem, Ruim? Calculo que sim. Até!

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  3. Adoro este poema...tens mt jeito, há que dizê-lo. Só me parece um tanto soturno.

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