
Assenta a certas individualidades da nossa era - facilmente presumíveis; basta atentar ao telejornal ainda que com olhar alheado - a frase de P. Valery "nem sempre sou da minha opinião". Pois bem, pior que não ter qualquer opinião, é formular opiniões que nada nos dizem e convencermo-nos delas primeiro para então, depois, convencermos os outros.
Se é "absurdo o homem que nunca muda", absurdos são aqueles que não mudam nem de estratégia, nem de discurso propagandístico tão esvaziado de conteúdo como de honesta intencionalidade (se é que me faço entender...). E falando em intenções, de acordo com O. Wilde, "as boas intenções têm sido a ruína do mundo. As únicas pessoas que realizaram alguma coisa foram as que não tiveram intenção alguma", ou como diria a populaça, " de boas intenções está o inferno cheio!". Não querendo estar demasiadamente amigada da pirraça e da sátira - ainda que com dificuldade sobre-humana -, tenho tido, ultimamente, sério embaraço em acreditar que "com o engodo de uma mentira se pesca uma carpa da verdade". Mais, adito a isso a credibilidade da justiça, pois não é à toa que alguém tenha vindo a escapar ao engodo da Independente, ao do Freeport, ao célebre caso da tvi e, mais recentemente, ao engodo das escutas. Questiono-me, com acentuada incerteza, em que escombros sombrios estrebucha a carpa prometida!
Em jeito de remate, deixo em suspenso a seguinte interrogação: se alguém em tão elevado cargo goza de tamanha e revoltosa imunidade, como estará todo o palanque em que este se apoia para se equilibrar?

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