
Uma cadeira isolada e irredutível,
é assim que me sinto, é assim que me tenho.
A vaguear pelo corredor venho
e termino num canto indivisível.
Soluço e resguardo a expressão
mas debalde pois meu ar é rarefeito.
Tenho os olhos presos ao chão.
o sorriso contrafeito,
a feição distorcida.
As palavras caem-me ao lado,
a matéria esvoaça pela porta fora.
Tenho os punhos cerrados -
a melancolia não se demora.
Ferem-me as divagações,
agravam-se as pupilas a focar o vazio.
Ora vario, ora desvario...
já não atento nem animo.
Meu corpo todo debruça-se sobre o indistinto;
agora decoro-o, mais tarde desminto-o.
Sou uma cadeira irredutível e isolada.
Assim me tenho, assim me sinto...
o que sinto é nada.

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